"Existentialism, now it's a new time. A hard time, but a necessary time. A time to see us and them. A time to tell about us and them forever... To know of we're just 'Rags of silver'!" (¨ J-JP ¨)

sábado, 3 de dezembro de 2016

Retrato

Foi assim
meu presente
uma foto
nossa
do nosso
passado

Foi quando
revelou-se
sua imensa
indiferença
pela história
passada

Foi a foto
revelada
no presente
um retrato
do amargo
passado



- Nando Barrett –

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Biografia

Porque sou poema sem adjetivos.
A arte subjetiva.
A linha tênue da percepção
entre o poeta e o leitor.
O espelho cru.
O abstrato nato,
visceral e vazio.
A desconstrução dos regramentos.
A redenção dos sentidos.
A plenitude do nada;
todo!

- Nando Barrett –

A leveza e o peso

Quando vistes o meu corpo
não percebeu-me
embora eu estivesse lá
não me notastes

Quisestes a imagem que eu não tinha
sonhastes com um homem real
mas minha realidade incompreendida
fez teu vulcão erodir
Fui invisível aos teus olhos
fostes insensível ao meu coração

Tudo o que quis aprender
foi-se contigo, para sempre
Me destes tua carne, porém
desejei tua essência
Até descobrir que ela
era palpável, sólida

Tudo o que ganhei foi tua perda
tua indiferença feriu-me
tua soberba apunhalou-me
indefeso, errante...

Fostes minha conquista
meu desejo utópico
minha vida

Entretanto, acima de tudo
fostes tudo que jamais sonhei
fostes pedra, a face do desalento
um doce pesadelo.

- Nando Barrett –

sábado, 1 de outubro de 2016

4º / Canto

Um bege geométrico, reto
E uma lâmpada ao centro, apagada
Traços marrons, opacos
Seguram histórias, sons e sentimentos
Meu refúgio diário
De sonhos e resistência
Minha existência

- Nando Barrett –

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Há dias

Dia dócil,
Perdidos pudores
Sonhados, inocentes
Imberbes

Dia cego,
Nuas libidos
Amedrontadas, desmedidas
Cruas

Dia mudo,
Suaves ausências
Anseiam pelo sol
Poente

- Nando Barrett –

Déjà vu

Embora toda subjetividade e abstracionismo
Foi-me prazerosa lê-la
Nostalgia remota, de tempos difusos
Ares sublimes de mundos perenes
Rumores de minh’alma
Que nunca se acalma
Desde a alfa, desde os idos
Tão seguros; tão perdidos


- Nando Barrett –

Uma Saudade

Quando o mundo era aquele
Em que escreviam-se flores
E suspiravam amores
Tardios

Quando a dor perene
Gélida e exata
Sussurrava esperanças
Vazias

Murmuravam-se anseios
Querendo quiçá
Leveduras afáveis
Ei-las aqui, ou ali

Quando mentíamos verdades
Num futuro incerto
Num verso incorreto
Dias de frases ao léu
Em que morríamos insaciavelmente
E dizíamos baixinho:
A felicidade não me ouve!

Era uma saudade que nunca houve[...]

- Nando Barrett -