"Existentialism, now it's a new time. A hard time, but a necessary time. A time to see us and them. A time to tell about us and them forever... To know of we're just 'Rags of silver'!" (¨ J-JP ¨)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Nosso mundo

uma vida em duas
vislumbramos perceber
numa cidade, pelas ruas
passeamos sem saber
nós dois vemos tão profundo
um amor a florescer
se a verdade é um jasmim
nosso mundo é um jardim
só me deixe um segundo
ser errante a sonhar
e meu coração fecundo
te levar ao nosso lar
terra doce e calma
onde habitam duas almas
somos nós a nos amar


- Nando Barrett -

SE

Se fossemos um, como imagino
acaso a distância, nos impediria?
Em meu coração bate um sino
é a canção que eu tanto queria

Em meu sonho intenso
a essência do teu ser
E nesse coração imenso
ficarei até amanhecer

Vou fugir da tempestade
a caminho do teu sol
talvez chegue a felicidade

Sou a isca, tu o anzol
nau perdida na eternidade
Mas tu és o meu farol.


- Nando Barrett -

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Escrevo pra além

Pro hoje não escrevo
não estou sendo lido
Quando tiver-me ido
ler-me-ão reescrito
Naquele tempo
Naquele lugar
Escrevo pro além mar
Escrevo pra além
de mim



- Nando Barrett -

sábado, 27 de setembro de 2014

Legatários

Perturbados
nós e nossos eus
abaixo dos céus

numa rapidez ríspida
percebemos
transvalores
perspicazes
indecências

vislumbramos
nossos sonhos
sendo em nós
sonhos nossos

Desafinados
entoamos canções
vis consolações


- Nando Barrett -

Fragmentos

ficamos assim
mentes paradas
derradeiro tempo
de luzes e cruzes
mansamente
voamos

lembra de quando
éramos flores?
ela saberia
não fosse o espelho

abata sua fuga
só assim retornaremos
ao sentido vivo
de nossos abstratos
perenes



- Nando Barrett -

Vassalo de mim

o belo substantivado
contempla o tempo
embriaga-se com o chá
de canções controversas,
introversas
refletem 
revertem
na mente, teias racionais
de emoções e sentimentos
elos de pensamentos
irracionais
um xamã que chama
adentro de mim
arte fria e cega
imanente



- Nando Barrett -

domingo, 14 de setembro de 2014

Eu ensaio

meu espelho que paira
mostrou-me a vida
sobejou-me de mim
eis-me assim
sou dos dias displicentes
das noites soberbas
minha mente barulhenta
compõe silêncios
minha vida é uma máquina
de escrever-me

- Nando Barrett -

domingo, 29 de junho de 2014

Dura tristura

mar de lágrimas
sápidas
correm, e vão
em vão
lembranças rápidas
passarão

hoje e agora
triste demora
ela, foi embora
não mais canção
sons mudos
para sempre

minha voz
calarão
amargura
disseram
amar cura
a mim

em mim
dura
uma dor
que seca
como flor
moribunda

fecunda
vazia perece
e parece
o coração
já não bate
em meu peito

eu no leito
me banho
apanho
sofro
da insana
sombria ilusão

desnuda
uma dor
tão profunda
que dura
a eternidade
de um segundo

fundo
tão profundo
que vive
a sentir
e deixa
de existir

- Nando Barrett -

Tormento meu

aqui
jaz
a paz

- Nando Barrett -

terça-feira, 29 de abril de 2014

Em tese, Sócrates

Busto ou rosto?
Ninguém viu, nem lembra
Ainda assim afirmam
saber tudo; do caos

Maior ou menor?
Ser inteiro no ser
Ao centro do nada
Ser essência, ou nada

O primeiro?
Não sei, talvez
A estultícia e a estupidez
Do eu, ou meu

[Para lembrar]
‘Em tese...



- Nando Barrett -

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Reencontro

Na vida, às vezes
Não escolhemos a ti, nem a mim
Na vida, às vezes
Nos odeiam, nos esquecem
Na vida, às vezes
Amávamos sem ter fim
Na vida, às vezes
Seres, outras almas aparecem
Na vida, às vezes
Momentos de dor viram redenção
Na vida, às vezes
Teu olho, teu brilho; em meu coração

Às vezes é vida vivida
Outras, singela canção.


- Nando Barrett -

sábado, 5 de abril de 2014

Piscou o tempo

Passaram-se trinta segundos...

Entre um pensamento e outro
Entre uma semente e um tronco
Entre o inconsciente e o morto
Entre o despertar e o sono
Entre o soluçar e um riso
Uma outra vida, sem aviso
Piscou o tempo e percebeu
Foi-se a aurora, anoiteceu...

Passaram-se trinta anos


- Nando Barrett -

domingo, 19 de janeiro de 2014

Refece


Rabiscos de vida 
Escritos de ida 
Despedida 
Não expressam 
Não sentem 
Escrevo para que?

Sem ouvirem, sem sentirem 
Lêem. Tal qual vêem 
Sem enxergar 
Tampouco imaginar 
Então... 
Escrevo para quem?

Se a dor é indizível 
Única, irreversível 
E nada, ninguém... 
Um fim 
Sem mim 
Escrevo por que?


- Nando Barrett -