"Existentialism, now it's a new time. A hard time, but a necessary time. A time to see us and them. A time to tell about us and them forever... To know of we're just 'Rags of silver'!" (¨ J-JP ¨)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Em tese, Sócrates

Busto ou rosto?
Ninguém viu, nem lembra
Ainda assim afirmam
saber tudo; do caos

Maior ou menor?
Ser inteiro no ser
Ao centro do nada
Ser essência, ou nada

O primeiro?
Não sei, talvez
A estultícia e a estupidez
Do eu, ou meu

[Para lembrar]
‘Em tese...



- Nando Barrett -

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Reencontro

Na vida, às vezes
Não escolhemos a ti, nem a mim
Na vida, às vezes
Nos odeiam, nos esquecem
Na vida, às vezes
Amávamos sem ter fim
Na vida, às vezes
Seres, outras almas aparecem
Na vida, às vezes
Momentos de dor viram redenção
Na vida, às vezes
Teu olho, teu brilho; em meu coração

Às vezes é vida vivida
Outras, singela canção.


- Nando Barrett -

sábado, 5 de abril de 2014

Piscou o tempo

Passaram-se trinta segundos...

Entre um pensamento e outro
Entre uma semente e um tronco
Entre o inconsciente e o morto
Entre o despertar e o sono
Entre o soluçar e um riso
Uma outra vida, sem aviso
Piscou o tempo e percebeu
Foi-se a aurora, anoiteceu...

Passaram-se trinta anos


- Nando Barrett -

domingo, 19 de janeiro de 2014

Refece


Rabiscos de vida 
Escritos de ida 
Despedida 
Não expressam 
Não sentem 
Escrevo para que?

Sem ouvirem, sem sentirem 
Lêem. Tal qual vêem 
Sem enxergar 
Tampouco imaginar 
Então... 
Escrevo para quem?

Se a dor é indizível 
Única, irreversível 
E nada, ninguém... 
Um fim 
Sem mim 
Escrevo por que?


- Nando Barrett -

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sylake

Quem és tu, que agora choras? Sucumbiu-te no seio da arrogância
Tacou fogo no vento; a nudez do ventre impuro
O lar sem direção. Errante, aberrante. Incerto
Ó tu que estás longe, destes sons de revelação
                                                                               [queria calar meus olhos...

Bebi as lágrimas da noite insípida. Escondi montanhas no ar
Uma pele vazia; ossos que ardem no jardim
Alegrias que perecem, qual odor de jasmim

E nos sorrisos tristes, revelaram-se as angústias
O sonho perturbador é a realidade inconsciente
da qual foges como presa – dos brilhantes olhos
do tigre que na calada resplandece como redenção
                                                                                [cegou-me os ouvidos...

Seduzido com mentiras, conheci a cintilante estrela
Donzela do futuro, transformou a criança
em plenitude da vida. Invejada; idolatrada
mas de essência humana

de carne
razão
e amor.

 
- Nando Barrett -

Perquiridor de sentidos

Nasci num mundo sem vida
Minhas palavras, meu refúgio
Rasguei a farsa de minha roupa
E minh'alma nua, foi vista na essência

Escrevo em primeira pessoa
Para mostrar a tua pessoa
E enquanto estes versos são lidos
A face deste espelho vislumbra
Revela os mais profundos anseios
Que tu, somente tu, enxergas
E que podes mudar
Ou seguir, na vil exaltação
Do vazio que te corrói

Morro por dias
E renasço por alguns segundos
Meus escritos são meu espelho
Minhas palavras, minha vida
Escrevo sem brio
Num dia sombrio
Vivo no tempo das densas nuvens de solidão
Vivo sem viver

Minha canção agora é a chuva
E enquanto meus pelos crescem
Minha vida diminui
Talvez tenha sido grande demais
Para caber num mundo vazio
Ou quem sabe, demasiado pequeno
Para entender cada universo
Tal qual lágrimas profundas
Neste oceano sangrento
Que é a vida
Minha
Tua
Toda

Vi-me nos olhos dos teus sonhos
Porque esperar a esperança?
Quero desconstruir meus sentidos
E manter inabaláveis meus valores
Sou o que quis, quis o que sou
Uma lua morta sem fim
Foi fechando a porta, sem mim

A minha esperança
está na primavera.

 
- Nando Barrett -


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Talvez assim

Se minhas palavras tivessem força para me fazer feliz
Se minha árdua luta se transformasse em doce vida
Se meus anseios pudessem ser controlados
Se minhas perguntas fossem respondidas
Se minha inquietude passasse
Se minha angústia acabasse
Se minha revolta cessasse
Se meu sonho acordasse

Talvez assim...
talvez assim me enxergarias.


- Nando Barrett -