"Existentialism, now it's a new time. A hard time, but a necessary time. A time to see us and them. A time to tell about us and them forever... To know of we're just 'Rags of silver'!" (¨ J-JP ¨)

domingo, 19 de janeiro de 2014

Refece


Rabiscos de vida 
Escritos de ida 
Despedida 
Não expressam 
Não sentem 
Escrevo para que?

Sem ouvirem, sem sentirem 
Lêem. Tal qual vêem 
Sem enxergar 
Tampouco imaginar 
Então... 
Escrevo para quem?

Se a dor é indizível 
Única, irreversível 
E nada, ninguém... 
Um fim 
Sem mim 
Escrevo por que?


- Nando Barrett -

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sylake

Quem és tu, que agora choras? Sucumbiu-te no seio da arrogância
Tacou fogo no vento; a nudez do ventre impuro
O lar sem direção. Errante, aberrante. Incerto
Ó tu que estás longe, destes sons de revelação
                                                                               [queria calar meus olhos...

Bebi as lágrimas da noite insípida. Escondi montanhas no ar
Uma pele vazia; ossos que ardem no jardim
Alegrias que perecem, qual odor de jasmim

E nos sorrisos tristes, revelaram-se as angústias
O sonho perturbador é a realidade inconsciente
da qual foges como presa – dos brilhantes olhos
do tigre que na calada resplandece como redenção
                                                                                [cegou-me os ouvidos...

Seduzido com mentiras, conheci a cintilante estrela
Donzela do futuro, transformou a criança
em plenitude da vida. Invejada; idolatrada
mas de essência humana

de carne
razão
e amor.

 
- Nando Barrett -

Perquiridor de sentidos

Nasci num mundo sem vida
Minhas palavras, meu refúgio
Rasguei a farsa de minha roupa
E minh'alma nua, foi vista na essência

Escrevo em primeira pessoa
Para mostrar a tua pessoa
E enquanto estes versos são lidos
A face deste espelho vislumbra
Revela os mais profundos anseios
Que tu, somente tu, enxergas
E que podes mudar
Ou seguir, na vil exaltação
Do vazio que te corrói

Morro por dias
E renasço por alguns segundos
Meus escritos são meu espelho
Minhas palavras, minha vida
Escrevo sem brio
Num dia sombrio
Vivo no tempo das densas nuvens de solidão
Vivo sem viver

Minha canção agora é a chuva
E enquanto meus pelos crescem
Minha vida diminui
Talvez tenha sido grande demais
Para caber num mundo vazio
Ou quem sabe, demasiado pequeno
Para entender cada universo
Tal qual lágrimas profundas
Neste oceano sangrento
Que é a vida
Minha
Tua
Toda

Vi-me nos olhos dos teus sonhos
Porque esperar a esperança?
Quero desconstruir meus sentidos
E manter inabaláveis meus valores
Sou o que quis, quis o que sou
Uma lua morta sem fim
Foi fechando a porta, sem mim

A minha esperança
está na primavera.

 
- Nando Barrett -


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Talvez assim

Se minhas palavras tivessem força para me fazer feliz
Se minha árdua luta se transformasse em doce vida
Se meus anseios pudessem ser controlados
Se minhas perguntas fossem respondidas
Se minha inquietude passasse
Se minha angústia acabasse
Se minha revolta cessasse
Se meu sonho acordasse

Talvez assim...
talvez assim me enxergarias.


- Nando Barrett -

domingo, 20 de outubro de 2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Na rua (*)

Suas caras, só suas
jovens, belas, nas ruas
Rostos lisos, imberbes
como pássaros implumes

Crianças ou futuro?
confusos, refeces...
Imaturos; em cima do muro.
Mas... sempre um mas.
Ei-los sempre prontos
pintados ou descabelados
amados ou revoltados
Nossa esperança de mudança
vosso sonho, doce lembrança
Construção cognitiva
ou cognição construtiva?
Imensuráveis seres
necessários contradizeres
Fogem do mundo, imundo
fazem deste
um lar mais profundo.

- Nando Barrett -

(*) Poema vencedor do VIII Concurso Literário do Unilasalle Canoas,
o qual tinha como mote “A participação da juventude na sociedade”.


Autoanálise

Não há como descrever-me
com tuas palavras

as minhas palavras
inexistem

jamais foram concebidas


- Nando Barrett -