"Existentialism, now it's a new time. A hard time, but a necessary time. A time to see us and them. A time to tell about us and them forever... To know of we're just 'Rags of silver'!" (¨ J-JP ¨)

domingo, 29 de junho de 2014

Dura tristura

mar de lágrimas
sápidas
correm, e vão
em vão
lembranças rápidas
passarão

hoje e agora
triste demora
ela, foi embora
não mais canção
sons mudos
para sempre

minha voz
calarão
amargura
disseram
amar cura
a mim

em mim
dura
uma dor
que seca
como flor
moribunda

fecunda
vazia perece
e parece
o coração
já não bate
em meu peito

eu no leito
me banho
apanho
sofro
da insana
sombria ilusão

desnuda
uma dor
tão profunda
que dura
a eternidade
de um segundo

fundo
tão profundo
que vive
a sentir
e deixa
de existir

- Nando Barrett -

Tormento meu

aqui
jaz
a paz

- Nando Barrett -

terça-feira, 29 de abril de 2014

Em tese, Sócrates

Busto ou rosto?
Ninguém viu, nem lembra
Ainda assim afirmam
saber tudo; do caos

Maior ou menor?
Ser inteiro no ser
Ao centro do nada
Ser essência, ou nada

O primeiro?
Não sei, talvez
A estultícia e a estupidez
Do eu, ou meu

[Para lembrar]
‘Em tese...



- Nando Barrett -

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Reencontro

Na vida, às vezes
Não escolhemos a ti, nem a mim
Na vida, às vezes
Nos odeiam, nos esquecem
Na vida, às vezes
Amávamos sem ter fim
Na vida, às vezes
Seres, outras almas aparecem
Na vida, às vezes
Momentos de dor viram redenção
Na vida, às vezes
Teu olho, teu brilho; em meu coração

Às vezes é vida vivida
Outras, singela canção.


- Nando Barrett -

sábado, 5 de abril de 2014

Piscou o tempo

Passaram-se trinta segundos...

Entre um pensamento e outro
Entre uma semente e um tronco
Entre o inconsciente e o morto
Entre o despertar e o sono
Entre o soluçar e um riso
Uma outra vida, sem aviso
Piscou o tempo e percebeu
Foi-se a aurora, anoiteceu...

Passaram-se trinta anos


- Nando Barrett -

domingo, 19 de janeiro de 2014

Refece


Rabiscos de vida 
Escritos de ida 
Despedida 
Não expressam 
Não sentem 
Escrevo para que?

Sem ouvirem, sem sentirem 
Lêem. Tal qual vêem 
Sem enxergar 
Tampouco imaginar 
Então... 
Escrevo para quem?

Se a dor é indizível 
Única, irreversível 
E nada, ninguém... 
Um fim 
Sem mim 
Escrevo por que?


- Nando Barrett -

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sylake

Quem és tu, que agora choras? Sucumbiu-te no seio da arrogância
Tacou fogo no vento; a nudez do ventre impuro
O lar sem direção. Errante, aberrante. Incerto
Ó tu que estás longe, destes sons de revelação
                                                                               [queria calar meus olhos...

Bebi as lágrimas da noite insípida. Escondi montanhas no ar
Uma pele vazia; ossos que ardem no jardim
Alegrias que perecem, qual odor de jasmim

E nos sorrisos tristes, revelaram-se as angústias
O sonho perturbador é a realidade inconsciente
da qual foges como presa – dos brilhantes olhos
do tigre que na calada resplandece como redenção
                                                                                [cegou-me os ouvidos...

Seduzido com mentiras, conheci a cintilante estrela
Donzela do futuro, transformou a criança
em plenitude da vida. Invejada; idolatrada
mas de essência humana

de carne
razão
e amor.

 
- Nando Barrett -